quinta-feira, 2 de setembro de 2010

SÉCULO XIX NO BRASIL (1): A INFLUÊNCIA ESTRANGEIRA

SÉCULO XIX NO BRASIL (1): A INFLUÊNCIA ESTRANGEIRA

O início do século XIX no Brasil é marcado pela vinda da família real portuguesa, que pretendia ficar de fora do conflito entre a Inglaterra e a França, governada por Napoleão. Dom João VI e uma comitiva de milhares de pessoas desembarcaram na Bahia em 1808 e no mesmo ano transferiram-se para o Rio de Janeiro.
Chega a Missão Artística Francesa. Chefiada por Joachim Lebreton, a Missão Artística Francesa chegou ao Rio de Janeiro em 1816, oito anos depois da família real. Dela faziam parte, entre outros artistas, Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret e Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny. Em agosto de 1816, o grupo organizou a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, transformada, em 1826, na Academia Imperial de Belas-Artes.
Taunay: a paisagem brasileira do século XIX. Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) é um dos nomes mais importantes da Missão Francesa. Na Europa, participou de várias exposições e foi muito requisitado para pintar cenas de batalhas napoleônicas. Nos cinco anos que aqui ficou, pintou cerca de trinta paisagens do Rio de Janeiro e regiões próximas (Fig. 11 – Morro de Santo Antonio (1816). Museu Nacional de Belas-Artes, RJ).
Debret: os costumes brasileiros do século XIX. Com trabalhos muito reproduzidos nos livros escolares, Jean-Baptiste Debret (1768-1848) é o artista da Missão Francesa, mais conhecido pelos brasileiros. Na Europa já era um artista premiado e pintava quadros com temas relacionados a Napoleão.
Debret ficou no Brasil até 1831 e produziu uma obra imensa: retratos da família real, cenários para o teatro São João e trabalhos decorativos para festas públicas e oficiais, como as solenidades que envolviam Dom João VI. Foi professor de Pintura Histórica na Academia Imperial de Belas-Artes e realizou a primeira exposição de arte no Brasil, em 1829.
O artista produziu inúmeros desenhos e aquarelas*, mais tarde reproduzidos em seu livro Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, publicado em Paris entre 1834 e 1839. Neles é possível conhecer paisagens e costumes da época (Fig. 12 e 13 – de Debret).
Arquitetura: A Missão Francesa adotou o estilo neoclássico e abandonou o Barroco, que, em nosso país, Principalmente em Minas Gerais, havia se desenvolvido com características e soluções brasileiras. O Principal responsável por essa mudança foi o arquiteto Grandjean de Montigny (1772-1850), autor do projeto da Academia Imperial de Belas-Artes (Fig. 14 – Pórtico de entrada da academia imperial de belas-artes).
Outra construção de destaque na arquitetura da época é o Solar dos Marqueses de Itamaraty (Fig. 15 – Arquiteto José Maria Jacinto Rebelo, aluno de Montgny).
Os primeiros estudantes da Academia. Entre os primeiros alunos, o gaucho Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879). Aí desenvolveu seu talento no desenho, na pintura, na caricatura. Mais tarde, foi professor de desenho e pintura, crítico de arte, poeta, escritor e teatrólogo. Quase trinta anos depois, tornou-se diretor da Academia. Grande incentivador das atividades da academia. Mas os dois estudantes da instituição que mais se destacaram foram August Muler e Agostinho José da Mota.
O alemão August Muler (1815-1883) veio para o Rio de Janeiro ainda criança. Sua obra abrange pinturas históricas, retratos (Fig. 16 – Retrato em azul – Baronesa de Vassouras, 150 x 94 cm. Museu Imperial RJ) e paisagens. Agostinho José da Mota (1824-1878) começou a freqüentar a academia em 1837 e tornou-se famoso como pintor de paisagens. Foi o primeiro artista brasileiro a ser premiado com uma viagem à Europa, em 1850. Pintou também naturezas-mortas, tema em que igualmente se destacou.
Artistas europeus independentes da Missão Artística Francesa. Além dos artistas da Missão, vieram ao Brasil outros pintores europeus atraídos pela luminosidade dos trópicos e pela burguesia rica que queria ser retratada em pinturas. Entre eles, destaca-se Thomas Ender e Johann Moritz Rugendas.
O austríaco Thomas Ender (1793-1875) chegou ao Brasil em 1817, com a comitiva da Princesa Leopoldina. Tinha 23 anos e ficou aqui por onze meses. Retratou paisagens e cenas do cotidiano de São Paulo e Rio de Janeiro em um conjunto de oitocentos desenhos e aquarelas. Esses trabalhos ficaram expostos no Museu Brasileiro de Viena. Já o alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1868) esteve no Brasil entre 1821 e 1825. Participou, como desenhista e documentarista, da expedição científica que o Barão Langsdorff, cônsul-geral da Russia no Rio de Janeiro, organizou pelo interior do Brasil. Tinha então 19 anos. Desse período, deixou um livro, Viagem pitoresca através do Brasil, contendo cem desenhos. E foi com seus desenhos e aquarelas que ele melhor expressou sua percepção do nosso país, deixando-nos importantes registros da flora, da fauna (Fig. 17 e 18) e dos costumes brasileiros do século XIX.


Bibliografia (texto): PROENÇA, Graça. História da arte. Ed. Ática, São Paulo, 2008.

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